Alguns “patriotários” querem jogar no colo do governo Lula o fechamento de lojas da Casas Bahia, repetindo a velha ladainha de que “a economia brasileira está quebrada”.
Pois bem, vamos aos fatos.
O “Louro José” do bolsonarismo, Luciano Hang, parece não ter recebido o memorando sobre essa tal economia quebrada. A Havan faturou R$ 18,5 bilhões em 2025, crescimento de cerca de 16%, e registrou aproximadamente R$ 3,4 bilhões de lucro líquido o maior de sua história.
Curioso, não?
Se o Brasil estivesse simplesmente “quebrado”, como explicar uma grande varejista batendo recorde de faturamento e lucro justamente no governo Lula?
E o caso da Casas Bahia é bem mais complexo do que a narrativa política tenta vender. A empresa já vinha passando por uma profunda reestruturação financeira e operacional. Em 2025, inclusive, o grupo alcançou GMV recorde de R$ 44,7 bilhões, com crescimento de 8,8% sobre 2024. O comércio eletrônico cresceu 12,1% naquele ano.
O problema é que vender muito não significa necessariamente ter uma empresa financeiramente saudável. Dívidas, juros, despesas, estrutura de custos e decisões administrativas também pesam e muito.
Além disso, o varejo mudou. O consumidor compara preços pelo celular, compra pela internet, recebe em casa e muitas vezes encontra no comércio eletrônico preços menores. Isso naturalmente obriga gigantes tradicionais a reverem o tamanho e o papel de suas redes físicas.
O próprio Magalu mostra essa transformação: em 2025 foram cerca de R$ 65 bilhões em vendas, dos quais aproximadamente R$ 44 bilhões vieram do comércio eletrônico.
Portanto, usar o fechamento de lojas de uma empresa específica como “prova” de que o Brasil inteiro quebrou é transformar um problema empresarial complexo em slogan político.
Se uma empresa fecha lojas, dizem que é culpa do governo.
Quando outra bate recorde histórico de faturamento e lucro no mesmo país e no mesmo período, aí convenientemente esquecem de falar da economia.
Economia séria se discute com dados, contexto e comparação não escolhendo apenas o número que confirma a narrativa política do dia.
Maria Fernandes - Membra do Diretório PT e Empresária do ramo alimentício