quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

6 de fevereiro: duas datas, duas histórias de luta na América Latina

Camilo Cienfuegos e Ricardo Zarattini 

Por: Márcio Tavares, Presidente do PT de Novo Horizonte 

O dia 6 de fevereiro marca o nascimento de dois personagens que, em contextos distintos, se tornaram símbolos de resistência política na América Latina.

Em 6 de fevereiro de 1932, nascia em Havana, capital de Cuba, Camilo Cienfuegos. Anos mais tarde, ao lado de Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, Camilo se tornaria um dos principais rostos da Revolução Cubana. Conhecido por seu carisma, coragem e forte vínculo com o povo, Cienfuegos ocupou papel central na derrubada da ditadura de Fulgencio Batista e permanece, até hoje, como um dos ícones mais populares do processo revolucionário cubano.

Três anos depois, em 6 de fevereiro de 1935, nascia no Brasil Ricardo Zarattini. Sua trajetória política ganharia força décadas mais tarde, durante o período mais sombrio da história recente do país: a ditadura militar. Engajado na luta contra o regime autoritário, Zarattini integrou, em 1968, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).

Preso três dias antes da decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), Zarattini foi submetido a torturas e permaneceu detido no Quartel Dias Cardoso, em Pernambuco. Durante o cárcere, estabeleceu vínculos com soldados do próprio quartel, passando a lecionar para eles — uma experiência singular em meio à repressão. Em 1969, conseguiu fugir com a ajuda desses militares. Escondeu-se em Pernambuco por cerca de um mês, com o apoio de Dom Hélder Câmara, e seguiu posteriormente para São Paulo, onde foi novamente preso pela Operação Bandeirante (Oban). Ali, sofreu 14 dias consecutivos de tortura.

Ainda em 1969, Zarattini foi libertado junto com outros 14 presos políticos, em troca do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, sequestrado por organizações da resistência armada.

Na década de 1980, com o processo de redemocratização, Ricardo Zarattini voltou a atuar de forma aberta na vida política, participando das lutas pelos direitos dos trabalhadores e colaborando como assessor na Assembleia Nacional Constituinte. Militante do Partido dos Trabalhadores (PT), candidatou-se à Câmara dos Deputados em 2002 e, em 2004, passou a exercer o mandato de deputado federal.

Em 2013, Zarattini foi oficialmente inocentado da acusação de envolvimento, ao lado de Ednaldo Miranda, na explosão de uma bomba no saguão do Aeroporto dos Guararapes, em Recife, ocorrida em 1966. A reparação foi possível graças a documentos dos próprios órgãos de segurança do Estado, apresentados pela Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, que comprovaram a falsidade da acusação.

Separados por fronteiras, mas unidos pelo compromisso com a transformação social, Camilo Cienfuegos e Ricardo Zarattini seguem presentes na memória histórica como símbolos de luta, resistência e enfrentamento às ditaduras.

COMO A MORTE DE UMA CRIANÇA DE 4 ANOS PODE SER EM LEGÍTIMA DEFESA?

 

Ryan da Silva Andrade Santos

O relatório final da Polícia Civil concluiu que os policiais militares que mataram Ryan da Silva Andrade Santos, de apenas 4 anos, agiram em legítima defesa. Sim, legítima defesa. Porque nada assusta mais um agente armado do que uma criança brincando na rua.

Ryan estava no Morro São Bento, em Santos, em novembro de 2024. Não portava arma, não ameaçava ninguém, não corria brincava. Mas, ao que tudo indica, brincar virou sinônimo de perigo iminente. O tiro veio rápido, a justificativa veio depois, como sempre.

A pergunta é simples: como a morte de uma criança de 4 anos pode ser considerada legítima defesa? Defesa contra o quê? Contra a infância? Contra a pobreza? Contra o CEP errado?

E não, não se trata de “mais um caso isolado”. Casos isolados não se repetem com tanta frequência. Isso é padrão. É método. É a assinatura da polícia que mais mata no mundo, sempre muito eficiente em proteger a si mesma, mas incapaz de proteger quem deveria.

No fim, a criança morre, a farda é blindada e a palavra “justiça” segue sendo assassinada junto sem relatório, sem responsabilização e sem legítima defesa possível.

Maria Fernandes - Vice-Presidente PT Novo Horizonte-SP

Uma dúvida sincera daquelas que insistem em não calar



Será que os defensores ferrenhos das escolas cívico-militares  vereadores, prefeito, vice e cia  matricularam seus filhos e netos na escola PTQ?
Ou será que eles seguem, muito confortáveis, matriculados no Sagrado, no Anglo e na Coopen?

Porque o discurso é bonito no palanque: “disciplina”, “ordem”, “modelo exemplar”.
Mas, curiosamente, esse “modelo” nunca chega à sala de aula dos filhos de quem decide.

Para o filho do trabalhador, a experiência.
Para os herdeiros do poder, a escolha.
Para uns, a escola que “dá certo”.
Para outros, a escola que garante o futuro.

No fim das contas, a dúvida permanece:
se a escola cívico-militar é tão boa assim… por que não é boa o suficiente para os filhos deles?

Márcio Tavares - Presidente PT Novo Horizonte-SP

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

ESCOLA CÍVICO-MILITAR E O FIM DA EDUCAÇÃO

Lamentável e preocupante os rumos que a educação no estado de São Paulo está tomando sob o governo Tarcísio. O que se vende como “modernização” nada mais é do que um projeto claro de desmonte da educação pública, crítica e democrática.

Mais lamentável ainda é constatar que a escola PTQ, aqui em Novo Horizonte, passou a integrar esse mesmo pacote ideológico travestido de solução. Ontem, na sessão da Câmara, vereadores do partido do governador rasgaram elogios à implantação da escola cívico-militar no PTQ, como se disciplina se impusesse com farda e hierarquia, e não com investimento, valorização de professores e estrutura adequada.
A pergunta que fica é simples e incômoda: onde, de fato, o modelo de escola cívico-militar deu certo? Onde ele melhorou índices sem excluir, sem silenciar, sem transformar educação em adestramento?
O discurso é sempre o mesmo: combater uma suposta “doutrinação de esquerda” nas escolas. Mas curiosamente, nunca apresentam provas.
O que existe, na prática, é o medo do pensamento crítico, da pluralidade de ideias e da formação de cidadãos conscientes. Chamam de doutrinação aquilo que ensina o aluno a pensar, questionar e compreender a realidade em que vive.
Educação não se faz com ordem unida, nem com militar dentro de sala de aula. Educação se faz com livro, professor valorizado, diálogo, ciência e liberdade. O que está em curso não é um avanço é um retrocesso.
E Novo Horizonte, infelizmente, está sendo arrastada junto nesse projeto que empobrece a escola pública e enfraquece o futuro.
Márcio Tavares - Presidente PT Novo Horizonte-SP

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

60º Aniversário do Companheiro Ideval



Hoje, quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, se ainda estivesse entre nós, meu amigo e companheiro Ideval Rogério Cardoso, o nosso eterno "Ideval do Sinserp", estaria comemorando mais um ano de vida.

Infelizmente, Ideval se foi cedo demais.
Foi arrancado de nós, assim como milhares e milhares de brasileiras e brasileiros, vítima da COVID-19 e da omissão criminosa do governo do hoje presidiário Jair Bolsonaro. Uma ausência que dói, que revolta, mas que também nos obriga a não esquecer. Ideval foi companheiro de todas as horas.
Presença firme e luta incansável daqueles que não viram as costas quando a caminhada ficava pesada. Sua memória segue viva na saudade, nas lembranças e na luta de quem teve o privilégio de caminhar ao seu lado.
Descansa em paz, companheiro.
Aqui seguimos, com o coração apertado, mas com a certeza de que sua história não será apagada.
Um abraço fraterno,
do teu sempre camarada,

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

MEMÓRIA CURTA. SERÁ?

 O nobre vereador Amílcar Raphe parece sofrer de um curioso lapso de memória seletiva. No bairro Porto Ferrão, gravou vídeo sorridente agradecendo ao "prefeito, a vice e toda sua equipe "pelo “futuro asfalto”, como se a obra tivesse brotado do nada, por geração espontânea ou milagre administrativo. Só esqueceu de um pequeno detalhe: no dia 21 de julho de 2025, ele próprio votou favoravelmente à abertura de crédito de quase R$ 500 mil, recursos enviados pelo governo Lula, justamente para a pavimentação do bairro.

A pergunta que não quer calar é simples: qual a intenção de omitir esse fato tão relevante? Desinformação? Conveniência política? Ou aquela velha tentativa de reescrever a realidade para caber no roteiro do vídeo? Vereador, dê a César o que é de César. Diga claramente que quase meio milhão veio do governo federal e que o restante é, sim, recurso próprio da prefeitura.
Não dói, não cai a mão e ainda fica feio… quer dizer, bonito, trabalhar com a verdade. Em apenas três anos e quase dois meses, o governo Lula já fez mais por Novo Horizonte do que o governo do presidiário hóspede da Papudinha em quatro anos de abandono e bravatas. Contra fatos não há argumentos mas, pelo visto, há memória curta.
Márcio Tavares é Assessor Parlamentar e Presidente PT Novo Horizonte