A saúde pública em colapso: quando falta o básico nas UBS de Novo Horizonte
O cenário da saúde pública em Novo Horizonte é grave, preocupante e não pode mais ser tratado com naturalidade. O que se vive hoje nas Unidades Básicas de Saúde ultrapassa qualquer limite aceitável de precarização. Já não se trata apenas de filas, espera ou burocracia: falta o essencial para que o atendimento exista.
Nas UBS, faltam copos para coleta de exames simples de urina e fezes. Faltam folhas para imprimir receitas médicas. Faltam materiais básicos de limpeza, comprometendo inclusive a higiene e a segurança sanitária dos próprios espaços de atendimento. Faltam médicos especialistas, obrigando pacientes a aguardarem meses por consultas que, muitas vezes, são urgentes. Há pessoas marcando atendimento para “abril”, “maio”, como se a dor tivesse calendário, como se a doença pudesse ser adiada por conveniência administrativa.
O resultado disso é o sofrimento diário da população mais vulnerável, que depende exclusivamente do SUS para sobreviver. A espera prolongada agrava quadros clínicos, transforma problemas simples em situações graves e gera angústia em quem já enfrenta o peso da doença e da insegurança social.
Um episódio recente escancara de forma cruel essa realidade. Uma senhora, visivelmente desesperada, procurou a UBS em busca de insumos básicos para realizar o curativo do esposo, que vive com uma traqueostomia. Não se tratava de um pedido extraordinário, mas de material essencial para manter a vida e evitar infecções. A resposta foi chocante: a unidade não dispunha dos insumos necessários. O cuidado foi negado. A responsabilidade foi empurrada para a família.
Esse caso não é exceção é regra. Ele revela um sistema fragilizado, sem planejamento, sem estrutura e, principalmente, sem sensibilidade social. Quando falta o básico, não há como falar em prevenção, acolhimento ou cuidado integral. O que existe é improviso, descaso e abandono.
Enquanto isso, os nobres edis vereadores, que têm a obrigação legal e moral de fiscalizar o Executivo e defender os interesses do povo, seguem em silêncio. Fingem não ver o caos instalado na saúde municipal. Não cobram, não denunciam, não se posicionam. O silêncio do poder também adoece e mata.
Saúde pública não é favor, não é discurso de campanha, não é promessa vazia. É um direito garantido pela Constituição. Negar esse direito, seja por omissão, incompetência ou falta de prioridade política, é condenar a população ao sofrimento.
A saúde novorizontina está em colapso. O povo está padecendo. E quem deveria agir permanece calado. Até quando?
Márcio Tavares é Assessor Parlamentar e Presidente do PT de Novo Horizonte-SP
