Suplicy, Sócrates, Marta, Lula e Wagner Tiso
Hoje, 19 de fevereiro de 2026, se estivesse vivo entre nós, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira completaria 72 anos. O Doutor Sócrates não foi apenas um craque que jogava de cabeça erguida e passes geniais; foi um intelectual do futebol, um homem que entendeu o jogo como expressão cultural, política e humana.
Ídolo eterno do Sport Club Corinthians Paulista e referência da Seleção Brasileira, Sócrates marcou época com sua elegância em campo e sua coragem fora dele. Alto, magro, barba rala e inteligência afiada, parecia desafiar o senso comum: jogava sem pressa, pensava antes de tocar na bola e ensinava que futebol também é raciocínio, ética e liberdade.
Mas talvez seu maior legado esteja além das quatro linhas. Na Democracia Corintiana, Sócrates foi a voz que ecoou contra o autoritarismo, defendendo participação, voto e autonomia dos trabalhadores do futebol. Em plena ditadura, quando o silêncio era regra, ele escolheu falar e falar alto. Transformou o clube em laboratório de cidadania e mostrou que a democracia pode, sim, nascer no vestiário e ganhar as arquibancadas.
Amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, daqueles de rachão aos domingos e conversa regada a uma dose de cana, Sócrates era popular sem ser populista. Transitava entre médicos, operários, artistas e boleiros com a mesma naturalidade. Sabia ouvir, discordar e provocar. Defendia a democracia com o corpo, a palavra e o exemplo.
Celebrar Sócrates hoje é lembrar que o futebol pode ser instrumento de pensamento crítico, que ídolos podem ter conteúdo e que vencer não é apenas levantar taças, mas sustentar princípios. O Doutor nos ensinou que ganhar é circunstância; vencer é postura.
Viva Sócrates.
Viva o futebol com consciência.
Viva a democracia.
Márcio Tavares é Assessor Parlamentar e Presidente PT Novo Horizonte-SP