O vereador novorizontino Jair Gordo, o popular “Jair da Padaria”, usou hoje seu precioso tempo na tribuna da Câmara Municipal. E não foi para falar das marginais desmoronando, da falta de médicos especialistas nas UBS, nem da via-crúcis que é marcar uma consulta e ser consultado nos postinhos. Nada disso.
O nobre edil preferiu cumprir outra “prioridade pública”: destilar sua ira conservadora contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói, por causa da ala das famosas “famílias em conserva” levada à Sapucaí.
Veja só, vereador a sátira não é sobre família de verdade. É sobre aquela família de bem de fachada, bem embrulhada no rótulo da moralidade:
– o pai conservador com amante fixa,
– a mãe temente a Deus com outro amor em sigilo,
– os filhos que muitas vezes não valem nem o sal do batizado,
mas todos juntos, sorridentes, arrotando bons costumes, moral cristã e indignação seletiva nas redes sociais.
A crítica não é ao lar, é à hipocrisia. Não é à família, é ao discurso falso, usado como escudo enquanto os verdadeiros problemas da cidade seguem largados.
Portanto, vereador, não fique ofendido. Se a caricatura incomodou, talvez não seja culpa do samba.
Às vezes, o problema é o espelho.