quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

COMO A MORTE DE UMA CRIANÇA DE 4 ANOS PODE SER EM LEGÍTIMA DEFESA?

 

Ryan da Silva Andrade Santos

O relatório final da Polícia Civil concluiu que os policiais militares que mataram Ryan da Silva Andrade Santos, de apenas 4 anos, agiram em legítima defesa. Sim, legítima defesa. Porque nada assusta mais um agente armado do que uma criança brincando na rua.

Ryan estava no Morro São Bento, em Santos, em novembro de 2024. Não portava arma, não ameaçava ninguém, não corria brincava. Mas, ao que tudo indica, brincar virou sinônimo de perigo iminente. O tiro veio rápido, a justificativa veio depois, como sempre.

A pergunta é simples: como a morte de uma criança de 4 anos pode ser considerada legítima defesa? Defesa contra o quê? Contra a infância? Contra a pobreza? Contra o CEP errado?

E não, não se trata de “mais um caso isolado”. Casos isolados não se repetem com tanta frequência. Isso é padrão. É método. É a assinatura da polícia que mais mata no mundo, sempre muito eficiente em proteger a si mesma, mas incapaz de proteger quem deveria.

No fim, a criança morre, a farda é blindada e a palavra “justiça” segue sendo assassinada junto sem relatório, sem responsabilização e sem legítima defesa possível.

Maria Fernandes - Vice-Presidente PT Novo Horizonte-SP