O que está acontecendo na Arquidiocese de São Paulo é grave, vergonhoso e profundamente simbólico. Dom Odilo parece ter escolhido o caminho da repressão justamente contra quem melhor representa o Evangelho vivo: padre Júlio Lancelotti, a voz mais potente da Igreja na defesa dos pobres, dos excluídos, dos invisíveis que a sociedade insiste em varrer para debaixo do tapete.
Por que silenciar quem incomoda os poderosos ao lembrar que Cristo não andava com palácios, mas com os marginalizados?
Por que proibir a transmissão das missas nas redes sociais e no YouTube, justamente onde milhares encontram acolhimento, fé e dignidade?
A quem interessa calar um padre que denuncia a miséria, a fome, a violência contra a população em situação de rua?
A quem serve ameaçar retirá-lo da paróquia que ele construiu com anos de dedicação, suor e amor ao próximo?
A história da Igreja já conhece bem esse roteiro: quando a instituição teme a verdade, ela tenta silenciar os profetas. Foi assim com Leonardo Boff, foi assim em tempos sombrios da própria Igreja, e agora se repete, com novos métodos, mas a mesma lógica autoritária.
Padre Júlio não é o problema.
O problema é uma Igreja que prefere o silêncio confortável à palavra incômoda do Evangelho.
O problema é confundir autoridade com censura e hierarquia com perseguição.
Deixem o padre Júlio Lancelotti em paz. Porque calar padre Júlio é tentar calar os pobres. E calar os pobres é trair o próprio Cristo.
A história julgará. E ela nunca foi generosa com inquisidores.
Márcio Tavares é Assessor Parlamentar e Presidente PT Novo Horizonte-SP