quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

A Inquisição não acabou. Ela apenas trocou as fogueiras por decretos, e agora veste batina.

 


O que está acontecendo na Arquidiocese de São Paulo é grave, vergonhoso e profundamente simbólico. Dom Odilo parece ter escolhido o caminho da repressão justamente contra quem melhor representa o Evangelho vivo: padre Júlio Lancelotti, a voz mais potente da Igreja na defesa dos pobres, dos excluídos, dos invisíveis que a sociedade insiste em varrer para debaixo do tapete.

Por que perseguir padre Júlio?
Por que silenciar quem incomoda os poderosos ao lembrar que Cristo não andava com palácios, mas com os marginalizados?
Por que proibir a transmissão das missas nas redes sociais e no YouTube, justamente onde milhares encontram acolhimento, fé e dignidade?
A quem interessa calar um padre que denuncia a miséria, a fome, a violência contra a população em situação de rua?
A quem serve ameaçar retirá-lo da paróquia que ele construiu com anos de dedicação, suor e amor ao próximo?
A história da Igreja já conhece bem esse roteiro: quando a instituição teme a verdade, ela tenta silenciar os profetas. Foi assim com Leonardo Boff, foi assim em tempos sombrios da própria Igreja, e agora se repete, com novos métodos, mas a mesma lógica autoritária.
Padre Júlio não é o problema.
O problema é uma Igreja que prefere o silêncio confortável à palavra incômoda do Evangelho.
O problema é confundir autoridade com censura e hierarquia com perseguição.
Deixem o padre Júlio Lancelotti em paz. Porque calar padre Júlio é tentar calar os pobres. E calar os pobres é trair o próprio Cristo.
A história julgará. E ela nunca foi generosa com inquisidores.

Márcio Tavares é Assessor Parlamentar e Presidente PT Novo Horizonte-SP