Agosto Lilás é mais do que uma campanha de conscientização. É um chamado à sociedade para enfrentar uma das mais cruéis formas de violência: aquela praticada contra mulheres pelo simples fato de serem mulheres.
A campanha foi criada em referência à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, um dos mais importantes instrumentos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Vinte anos depois, os avanços legais são inegáveis, mas a realidade continua alarmante. O feminicídio segue destruindo famílias, interrompendo sonhos e revelando que o machismo e a violência de gênero ainda fazem parte do cotidiano brasileiro.
No estado de São Paulo, os números reforçam a urgência do debate. Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam que 2025 terminou com 266 feminicídios, o maior número da série histórica do estado.
Em 2026, a situação continua preocupante. Apenas no primeiro trimestre, São Paulo registrou 86 casos de feminicídio, o maior total já contabilizado para esse período desde o início da série histórica.
Os dados mensais divulgados pela Secretaria da Segurança Pública mostram que os registros permaneceram elevados ao longo do primeiro semestre e início do segundo semestre de 2026, evidenciando que o feminicídio continua sendo um dos maiores desafios para as políticas públicas de proteção às mulheres.
Entretanto, é importante lembrar que cada número representa uma vida interrompida. São mulheres que tinham família, filhos, sonhos, profissão e projetos para o futuro. O feminicídio não nasce de um momento de raiva; ele costuma ser o desfecho de uma escalada de violência marcada por ameaças, agressões físicas, violência psicológica, controle, perseguição e silêncio.
Combater essa realidade exige muito mais do que endurecer penas. É preciso fortalecer a rede de proteção às mulheres, ampliar o funcionamento das Delegacias de Defesa da Mulher, garantir atendimento psicológico e jurídico às vítimas, investir em educação para a igualdade de gênero e incentivar que familiares, vizinhos e amigos denunciem qualquer sinal de violência.
O Agosto Lilás também nos lembra que a violência contra a mulher não é um problema privado. Ela é uma questão de direitos humanos, de saúde pública e de responsabilidade coletiva. O silêncio protege o agressor; a denúncia pode salvar vidas.
Neste mês de conscientização, é fundamental reafirmar que nenhuma mulher deve viver com medo dentro da própria casa. O respeito, a dignidade e o direito à vida são inegociáveis.
Que o Agosto Lilás seja um período de reflexão, mas, principalmente, de ação. Porque o combate ao feminicídio não pode durar apenas um mês. Deve ser um compromisso permanente de toda a sociedade.
Maria Fernandes - Secretaria de finanças do PT Novo Horizonte-SP