sábado, 6 de junho de 2026

Toda solidariedade a Deputada Beth Sahão, quem realmente merece solidariedade


Márcio Tavares e Beth Sahão 


O jornalismo brasileiro está inovando. Agora não basta informar os fatos, é preciso criar associações convenientes para gerar cliques.

O mesmo portal que recebeu, segundo reportagens divulgadas na imprensa, R$ 27,2 milhões em repasses do Banco Master entre 2024 e 2025 publica a manchete: "Rei do Pix: pai de assessor preso contratou empresa de cunhada de deputada do PT" e ilustra a matéria com a foto da deputada estadual Beth Sahão.

Mas vamos ao detalhe que realmente importa: a deputada Beth Sahão é citada como investigada no inquérito? Foi alvo de busca e apreensão? Teve o nome mencionado como participante do suposto esquema? Até onde se sabe, não.

O caso investigado ocorreu na Câmara Municipal de Catanduva. Não aconteceu em seu gabinete na Assembleia Legislativa. Não envolve recursos do seu mandato. Mas isso renderia menos cliques do que estampar a foto de uma deputada do PT, não é mesmo?

A lógica parece simples: se não há fato suficiente para comprometer alguém, cria-se uma associação visual e deixa-se a imaginação do leitor fazer o resto.

Jornalismo deveria esclarecer. Quando prefere insinuar em vez de informar, presta um desserviço à sociedade e contribui para a desinformação que tanto diz combater.

Afinal, manchetes deveriam servir para apresentar fatos, não para induzir conclusões.

Márcio Tavares - Presidente PT Novo Horizonte