Saiu a tão aguardada convocação para a Copa do Mundo. E, como já era esperado, Carlo Ancelotti acabou se rendendo ao velho roteiro da mídia esportiva brasileira e ao lobby do marketing futebolístico: o “menino Ney” está de volta.
A sensação é que a convocação foi feita mais pensando em audiência, patrocinador e engajamento do que propriamente em futebol.
Quem teve o privilégio de assistir à seleção de 94 sabe exatamente o que era raça, personalidade e fome de vencer. Romário, Bebeto, Raí, jogadores que entravam em campo para ganhar Copa, não para viralizar na internet. Depois veio 2002, com uma geração absurda formada por Cafú, Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Aquilo sim intimidava adversário. Aquilo sim era Seleção Brasileira.
Agora o torcedor precisa engolir, goela abaixo, a esperança depositada numa geração que parece mais preocupada com penteado do que com bola na rede.
Mas enfim, junho está logo ali. O brasileiro já vai separando a camisa, o antidepressivo e os memes. Porque se depender dessa safra de TikTokers de chuteira, o hexa continua sendo apenas uma lembrança distante dos tempos em que a Seleção entrava em campo para meter medo e não para produzir conteúdo.